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	<title>Arquivo de Opinião - My Doenças Raras</title>
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	<description>Fique por dentro do universo das doenças raras: notícias atualizadas, avanços científicos, políticas públicas e histórias de superação em um só lugar.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 19 Jun 2026 08:36:21 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Arquivo de Opinião - My Doenças Raras</title>
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	<item>
		<title>Doença de Behçet: aftas “banais” podem esconder a doença</title>
		<link>https://mydoencasraras.pt/opiniao/doenca-de-behcet-aftas-banais-podem-esconder-a-doenca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Dutra Dutra]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 08:15:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>João Araújo Correia, especialista em Medicina Interna da Unidade Local de Saúde de Santo António, aborda a Doença de Behçet (DB), uma patologia inflamatória sistémica frequentemente mascarada por manifestações comuns, como aftas orais recorrentes e lesões genitais, o que contribui para atrasos no diagnóstico e prolonga o sofrimento de muitos doentes. Leia o artigo de [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph"><strong>João Araújo Correia</strong>, especialista em Medicina Interna da Unidade Local de Saúde de Santo António, aborda a Doença de Behçet (DB), uma patologia inflamatória sistémica frequentemente mascarada por manifestações comuns, como aftas orais recorrentes e lesões genitais, o que contribui para atrasos no diagnóstico e prolonga o sofrimento de muitos doentes. Leia o artigo de opinião.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A DB caracteriza-se pela presença de aftas orais dolorosas e recidivantes, às vezes também com úlceras genitais semelhantes. As aftas são queixas frequentes, com múltiplas causas, desde alimentares a alérgicas ou muitas outras. Estas manifestações clínicas tão prevalentes são muitas vezes desvalorizadas pelo médico, que não compreende o quanto elas comprometem a qualidade de vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de ser uma doença rara fora dos países da “rota da seda”, onde é um verdadeiro problema de saúde pública, sendo responsável por cerca de 25% dos casos de cegueira, ainda tem uma prevalência apreciável nos países do sul da Europa. Como é uma doença sem análises ou testes que a identifiquem, dependendo em absoluto da valorização do conjunto de sinais clínicos que conferem os critérios internacionais definidos para o diagnóstico, que por vezes ocorrem ao longo dos anos, precisam de um médico atento e dedicado! Por essas razões, queixas “vulgares” mais chatas do que graves e falta de exames diagnósticos, os doentes andam muitos anos em desespero, até que alguém os ouça e lhes dê atenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É verdade que na maioria dos doentes esta vasculite não atinge órgãos vitais, e é uma doença de gravidade ligeira quando é apenas mucocutânea (aftas orais, úlceras genitais, lesões inflamatórias da pele, etc.). No entanto, pode comprometer a vida ou gerar sequelas permanentes. Se diagnosticarmos os doentes de DB na fase das aftas orais, talvez consigamos evitar que tenham as formas mais graves da doença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O doente com DB deve confiar no seu médico e evitar a consulta ao “Doutor Google” sem orientação, pois corre o risco de ficar em pânico perante o relato de casos clínicos raros muito graves. De facto, há muitos cenários preocupantes: desde o clássico atingimento do olho (uveíte crónica e cegueira), ao intestino (Doença Inflamatória Intestinal), ao vascular (tromboses ou aneurismas venosos e arteriais), ao neurológico (défices neurológicos ou trombose) e ao articular (espondiloartropatia inflamatória).</p>



<p class="wp-block-paragraph">A boa notícia é que os casos graves são pouco frequentes e que hoje temos muitos medicamentos altamente eficazes. Mesmo quando os doentes nos aparecem nas piores situações clínicas da DB, se os médicos não se atrasarem no diagnóstico, podemos esperar o controle da doença, sem sequelas do surto agudo.</p>
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		<title>Terapêutica com IgG: novas indicações e desafios no consumo e gestão</title>
		<link>https://mydoencasraras.pt/opiniao/terapeutica-com-igg-novas-indicacoes-e-desafios-no-consumo-e-gestao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Dutra Dutra]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 10:18:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Susana Lopes da Silva, do Hospital Lusíadas de lisboa, analisa os desafios crescentes da utilização de imunoglobulina G (IgG) em Portugal. Num cenário de alargamento das indicações terapêuticas, a especialista reflete sobre a necessidade urgente de uma gestão racional do plasma. O artigo de opinião destaca a importância da seleção criteriosa de doentes e a [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Susana Lopes da Silva</strong>, do Hospital Lusíadas de lisboa, analisa os desafios crescentes da utilização de imunoglobulina G (IgG) em Portugal. Num cenário de alargamento das indicações terapêuticas, a especialista reflete sobre a necessidade urgente de uma gestão racional do plasma. O artigo de opinião destaca a importância da seleção criteriosa de doentes e a aposta na administração domiciliária como pilares para garantir a sustentabilidade do sistema e a qualidade de vida dos doentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos anos, tem aumentado significativamente a utilização terapêutica de imunoglobulina G (IgG) a nível internacional e também no nosso país. Esta realidade resulta da valorização da terapêutica substitutiva num espectro crescente de Erros Inatos de Imunidade (EII), anteriormente denominadas imunodeficiências primárias. Em paralelo, tem aumentado o consumo de IgG em doentes com imunodeficiências secundárias, sobretudo decorrentes do tratamento de doença hemato-oncológica, mas também em outros contextos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A terapêutica substitutiva com IgG em crianças e adultos com défice de produção de anticorpos é fulcral para garantir a qualidade de vida dos doentes, particularmente nos EII. Historicamente, a melhoria do acesso a esta terapêutica e otimização da dose administrada permitiram diminuir a ocorrência de infeções bacterianas graves.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em paralelo, verifica-se o seu uso crescente em doenças autoimunes e inflamatórias, frequentemente em esquemas posológicos com doses elevadas, ditas imuno-moduladoras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este alargamento do espectro clínico tem levado a um aumento substancial do consumo de IgG, com impacto direto na gestão dos recursos hospitalares e na disponibilidade do produto, que depende do fracionamento do plasma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A administração de IgG por via subcutânea, surge como uma solução estratégica para reduzir a pressão sobre os serviços hospitalares associada à clássica administração por via endovenosa. Não sendo necessariamente uma solução universal, para todos os indivíduos ou em todas as fases, a terapêutica no domicílio permite melhorar a qualidade de vida dos doentes e manter a adesão terapêutica, facilitando a conjugação com a vida profissional e escolar/laboral. Mais recentemente, a via subcutânea facilitada possibilitou diminuir a frequência de administração, acentuando estas vantagens.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A terapêutica domiciliária exige, contudo, um acompanhamento estruturado, com suporte de enfermagem e educação do doente/família, garantindo segurança e adesão ao tratamento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, neste panorama de crescimento da utilização de IgG, importa recordar o elevado custo associado a esta terapêutica e a potencial escassez da matéria-prima – plasma humano. É fundamental garantir que os doentes que beneficiam desta terapêutica são corretamente selecionados. Torna-se assim essencial a implementação de recomendações clínicas claras, que orientem a indicação de IgG em diferentes contextos, tanto no tratamento de imunodeficiências como em doenças autoimunes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Portugal, é particularmente óbvia a necessidade de ponderar cuidadosamente o fracionamento local do plasma, recurso limitado e dependente de doações. Este tema tem sido recentemente discutido a nível nacional, refletindo a crescente preocupação com a sustentabilidade dos medicamentos derivados do plasma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A otimização do seu uso não é apenas uma questão económica, mas também ética, garantindo que todos os doentes elegíveis possam beneficiar do tratamento. Em paralelo, a utilização de plasma nacional permite reduzir a dependência de importações e melhorar a segurança de abastecimento, tendo ainda vantagens epidemiológicas óbvias para os doentes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em resumo, a expansão das indicações para IgG exige uma abordagem integrada: seleção criteriosa de doentes, adesão à terapêutica, promoção da administração domiciliária sempre que possível e gestão racional do plasma. Estes passos são essenciais para assegurar que o aumento do consumo de IgG se traduza em ganhos reais para os doentes, sem comprometer a sustentabilidade do sistema de saúde.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Este artigo de opinião foi escrito no âmbito da Semana Mundial das Imunodeficiências Primárias, que se assinala de 22 a 29 de abril.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<item>
		<title>Doenças Raras: Da singularidade clínica ao compromisso global de equidade</title>
		<link>https://mydoencasraras.pt/opiniao/doencas-raras-da-singularidade-clinica-ao-compromisso-global-de-equidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sofia Dutra Dutra]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Apr 2026 07:57:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Luísa Pereira, coordenadora do Núcleo de Estudos de Doenças Raras da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, convida à reflexão sobre a urgência de olhar para o que é excecional na medicina. Destaca que, embora individualmente raras, estas doenças afetam centenas de milhares de pessoas em Portugal e milhões em todo o mundo, exigindo um compromisso [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Luísa Pereira</strong>, coordenadora do Núcleo de Estudos de Doenças Raras da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna, convida à reflexão sobre a urgência de olhar para o que é excecional na medicina. Destaca que, embora individualmente raras, estas doenças afetam centenas de milhares de pessoas em Portugal e milhões em todo o mundo, exigindo um compromisso global de equidade no diagnóstico, no acompanhamento clínico e na integração social. Leia o artigo de opinião.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O ensino médico tradicional privilegia o reconhecimento das patologias mais prevalentes, seguindo uma lógica de probabilidade estatística. Somos treinados para identificar o comum. Contudo, o Dia Mundial das Doenças Raras, assinalado a 28 de fevereiro, desafia-nos a inverter essa lógica: recorda-nos a urgência de reconhecer, valorizar e cuidar da exceção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo a definição europeia, considera-se rara a doença que afeta menos de 1 em cada 2.000 pessoas. Ainda assim, a epidemiologia revela uma realidade de grande magnitude. No seu conjunto — existem mais de 7.000 patologias identificadas — as doenças raras deixam de ser um fenómeno residual para assumirem a dimensão de um verdadeiro problema de saúde pública global. Estima-se que cerca de 300 milhões de pessoas vivam com uma destas condições em todo o mundo. Em Portugal, esta realidade abrangerá entre 600 e 800 mil pessoas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A sua caracterização exige um olhar diferenciado e permanentemente atualizado. A literatura internacional aponta dados que merecem reflexão: cerca de 72% das doenças raras têm etiologia genética e aproximadamente 70% manifestam-se ainda na idade pediátrica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Importa, porém, sublinhar que a história destas doenças não termina na infância. Graças aos avanços notáveis na medicina, na genética e nos cuidados de suporte, a esperança média de vida destes doentes aumentou de forma significativa. Hoje, a criança com doença rara cresce — e torna-se um adulto com doença rara. É neste ponto que emerge um dos maiores desafios do sistema de saúde: assegurar a continuidade de cuidados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A transição dos serviços de Pediatria — tradicionalmente estruturados de forma muito protegida e multidisciplinar — para a medicina de adultos constitui, demasiadas vezes, um momento de rutura. O doente adulto, frequentemente portador de patologia multissistémica e complexa, pode ver os seus cuidados fragmentados por múltiplas especialidades, sem um fio condutor que integre a visão clínica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste contexto, a Medicina Interna assume um papel central. Enquanto especialidade hospitalar de integração, o internista dispõe duma visão global necessária para articular informação dispersa, coordenar intervenções e centrar o cuidado na pessoa — e não apenas na soma dos órgãos afetados. O Núcleo de Estudos de Doenças Raras da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (NEDR/SPMI) defende que o acompanhamento destes doentes na idade adulta deve assentar numa abordagem integradora, evitando que se percam nos meandros do sistema.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos avanços no conhecimento, persistem lacunas estruturais que importa ultrapassar. Para muitas famílias, o percurso até ao diagnóstico definitivo continua a assemelhar-se a uma verdadeira odisseia, marcada por incerteza, desgaste emocional e atrasos que podem comprometer intervenções precoces. Acrescem a escassez de opções terapêuticas específicas para grande parte destas patologias e a dispersão da informação clínica, fatores que continuam a constituir barreiras significativas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste enquadramento, o NEDR/SPMI associa-se ao Dia Mundial das Doenças Raras colocando a equidade no centro da reflexão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Equidade em saúde não significa tratar todos de forma idêntica. Significa reconhecer necessidades específicas e garantir respostas diferenciadas, adequadas à complexidade de cada situação. É imperativo assegurar acesso equitativo a diagnóstico precoce, a cuidados especializados e a centros de referência, independentemente da localização geográfica. Impõe-se uma rede de referenciação sólida, que conjugue proximidade e diferenciação, articulando cuidados locais com estruturas altamente especializadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a equidade não se esgota no hospital. As doenças raras colocam também um desafio de cidadania. Exigem que a sociedade garanta oportunidades justas na escola, no emprego e na vida comunitária, combatendo o estigma, as barreiras arquitetónicas e o isolamento social que frequentemente acompanham a complexidade clínica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A raridade estatística não pode continuar a significar invisibilidade. Não pode justificar atrasos, desigualdades ou resignação. Cada diagnóstico tardio é tempo perdido. Cada fragmentação de cuidados é uma oportunidade falhada. Cada obstáculo social é uma barreira que podemos — e devemos — remover.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O desafio que hoje se coloca é coletivo. Exige compromisso político, organização do sistema de saúde, investimento na investigação e formação contínua dos profissionais. Exige também uma sociedade mais informada, mais empática e mais inclusiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cuidar da exceção é, afinal, uma medida da maturidade de um sistema de saúde e da humanidade de uma comunidade. Porque cada pessoa conta. Porque cada história importa. Porque cada vida — independentemente da sua raridade — tem um valor absoluto.</p>



<p class="has-small-font-size wp-block-paragraph">Este artigo de opinião foi escrito por ocasião do Dia Mundial das Doenças Raras, assinalado a 28 de fevereiro.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Doenças hepáticas raras: desafios invisíveis que exigem atenção especializada</title>
		<link>https://mydoencasraras.pt/opiniao/doencas-hepaticas-raras-desafios-invisiveis-que-exigem-atencao-especializada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Mar 2026 12:41:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A gastrenterologista na Unidade Local de Saúde de São José Verónica Gamelas destaca a importância de dar visibilidade às doenças hepáticas raras. Entende que, embora muitas patologias do fígado sejam conhecidas e diagnosticadas rapidamente, existem condições genéticas e autoimunes menos frequentes cujo reconhecimento tardio atrasa o tratamento especializado. Leia o artigo de opinião. O fígado [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">A gastrenterologista na Unidade Local de Saúde de São José <strong>Verónica Gamelas</strong> destaca a importância de dar visibilidade às doenças hepáticas raras. Entende que, embora muitas patologias do fígado sejam conhecidas e diagnosticadas rapidamente, existem condições genéticas e autoimunes menos frequentes cujo reconhecimento tardio atrasa o tratamento especializado. Leia o artigo de opinião.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O fígado é um órgão com múltiplas e diferentes funções, entre elas: a síntese de proteínas, lípidos e hidratos de carbono; o armazenamento e libertação de hidratos de carbono na circulação, permitindo manter estáveis os níveis de açúcar no sangue; a síntese de ácidos biliares, para a produção de bílis; destoxificação, convertendo produtos tóxicos noutros passiveis de ser excretados; e ainda uma importante função imunológica, contribuindo no combate a infeções.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O reconhecimento precoce das doenças hepáticas é fundamental para podermos tratá-las atempadamente e proteger as funções (vitais!) deste órgão nobre.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Algumas dessas doenças, as mais frequentes, são amplamente conhecidas, mais ativamente procuradas, e por isso mais prontamente diagnosticadas e tratadas. São exemplos a infeçao pelos vírus da hepatite B e C, a doença hepática alcoólica e metabólica (fígado gordo).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Outras, no entanto, são raras, menos conhecidas pelos clínicos, não procuradas ativamente e, por isso, de diagnóstico mais difícil e tardio, atrasando o início de tratamento especializado. É neste último grupo que nos focamos, a propósito do Dia Mundial das Doenças Raras, que se assinala a 28 de fevereiro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As doenças hepáticas raras correspondem a um grupo heterogéneo de patologias que afetam o fígado e que, de acordo com a definição europeia, apresentam uma prevalência inferior a um caso por cada duas mil pessoas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre estas, destacam-se as doenças metabólicas: são doenças genéticas, hereditárias, que ocorrem por defeitos em diferentes vias do metabolismo e afetam diferentes sistemas de órgãos, além do fígado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As doenças metabólicas que mais frequentemente causam doença na idade adulta são a hemocromatose hereditária, a doença de Wilson e o défice de alfa-1-antitripsina. A&nbsp; hemocromatose hereditária ocorre por alteração do metabolismo do ferro, que se acumula nos diferentes órgãos. Caracteriza-se por doença hepática, diabetes (por deposição de ferro no pâncreas), doença cardíaca, doença das articulações, aspecto bronzeado da pele.&nbsp; A doença de Wilson decorre de um defeito no metabolismo do cobre, que se deposita principalmente no fígado e no sistema nervoso central. Assim, para além da doença hepática, os doentes podem apresentar-se com alterações do comportamento, do movimento e da fala. O défice de alfa-1-antripsina, ocorre por uma mutação que resulta na produção dessa proteína num formato anómalo. A acumulação da proteína alterada no fígado leva a ocorrência da doença hepática e a sua falta no pulmão leva ao aparecimento precoce de doença pulmonar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existem muitas outras doenças metabólicas, a maioria das quais se manifesta na infância, frequentemente com um quadro de má progressão estaturo-ponderal, podendo ainda ocorrer, consoante as vias do metabolismo envolvidas, hipoglicémias (por incapacidade de armazenar e libertar açúcar no sangue), alterações neurológicas (pelas hipoglicemias ou por acumulação de compostos metabólicos tóxicos), colestase (por acumulação de ácidos biliares, que não são usados para produzir bílis e se acumulam, conferindo coloração amarela à pele, cor escura da urina e prurido).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além das doenças metabólicas, existem outras, que envolvem sobretudo mecanismos de autoimunidade e se manifestam mais frequentemente na idade adulta. São exemplos a colangite biliar primária e colangite esclerosante primária: doenças causadas por inflamação das vias biliares e que impedem o normal fluxo de ácidos biliares, levando à ocorrência de colestase.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A maioria destas doenças, por terem natureza genética ou autoimune, não apresentam cura. Contudo, desde que adequadamente diagnosticadas, para muitas delas existem tratamentos que permitem que se mantenham controladas, sem progressão, e permitindo levar uma vida normal (por exemplo, através do controlo dos níveis de ferro na hemocromatose ou dos níveis de cobre na doença de Wilson).&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando a progressão não pode ser evitada, os doentes podem desenvolver doença hepática aguda ou terminal. Nestes casos, o transplante hepático poderá ser a única opção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora nem sempre seja possível prevenir o aparecimento das doenças hepáticas raras, o diagnóstico precoce assume um papel central na melhoria do prognóstico. Em determinadas situações, o rastreio familiar permite identificar portadores assintomáticos ou doentes em fases iniciais, possibilitando uma vigilância adequada e a intervenção antes do surgimento de complicações irreversíveis. A literacia em saúde e a sensibilização da população para estas patologias contribuem igualmente para uma procura mais precoce de cuidados médicos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assinalar o Dia Mundial das Doenças Raras é, acima de tudo, uma oportunidade para reforçar que a raridade não deve significar invisibilidade.&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Invisíveis no sistema, presentes na inovação: o desafio das doenças raras em Portugal</title>
		<link>https://mydoencasraras.pt/opiniao/invisiveis-no-sistema-presentes-na-inovacao-o-desafio-das-doencas-raras-em-portugal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[luispaiva@lpmcom.pt]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Mar 2026 15:27:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No âmbito do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, assinalado a 3 de dezembro, André Correia, da SERaro – Associação das Síndromes Excecionalmente Raras de Portugal, relembra que os cerca de um milhão de portugueses que vivem com uma doença rara continuam invisíveis para o sistema de saúde, para a educação e, muitas vezes, para a [&#8230;]</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mydoencasraras.pt/opiniao/invisiveis-no-sistema-presentes-na-inovacao-o-desafio-das-doencas-raras-em-portugal/">Invisíveis no sistema, presentes na inovação: o desafio das doenças raras em Portugal</a> aparece primeiro em <a href="https://mydoencasraras.pt">My Doenças Raras</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">No âmbito do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, assinalado a 3 de dezembro, <strong>André Correia</strong>, da SERaro – Associação das Síndromes Excecionalmente Raras de Portugal, relembra que os cerca de um milhão de portugueses que vivem com uma doença rara continuam invisíveis para o sistema de saúde, para a educação e, muitas vezes, para a própria sociedade. Neste artigo de opinião, o vice-presidente da Associação, reflete sobre a necessidade de Portugal juntar educação, terapias, dados e Inteligência Artificial para a inclusão de quem vive com uma doença rara.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A diferença ainda espera por nós: porque Portugal precisa de juntar educação, terapias, dados e Inteligência Artificial (IA) para incluir quem vive com doenças raras?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em Portugal, cerca de 1 milhão de pessoas vivem com uma doença rara, e muitas delas permanecem anos sem diagnóstico. Em Portugal, milhares de crianças e adultos acordam todos os dias com um desafio adicional: viver com uma doença tão rara que nem nome tem, ou permanecer anos sem diagnóstico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, celebrado a 3 de dezembro, vale a pena lembrar que estas pessoas continuam invisíveis para o sistema de saúde, para a educação e, muitas vezes, para a própria sociedade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na SERaro, representamos pessoas que vivem na fronteira do desconhecido: crianças e adultos que enfrentam não apenas condições médicas complexas, mas também a falta de respostas, de recursos e, sobretudo, de compreensão. Nestes casos, a deficiência não é apenas física ou genética; é estrutural. Resulta de sistemas que ainda não sabem incluir quem, aos olhos da sociedade, se desvia “da norma”.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Fala-se muito de inovação, tecnologia e Inteligência Artificial, mas raramente discutimos para quem essa inovação está a ser criada. Permite identificar doenças raras mais cedo, apoiar diagnósticos complexos e adaptar percursos educativos. Pode aproximar professores, terapeutas e cuidadores. Pode dar voz a quem não a tem. Na SERaro, já participámos em projetos educativos e iniciativas de digitalização para garantir que essas ferramentas funcionem na prática.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas para isso, precisamos do que continua a ser o maior bloqueio nacional: uma estratégia integrada e dados fiáveis e interoperáveis. Sem estes elementos, as doenças raras tornam-se estatisticamente invisíveis, alunos “diferentes” continuam a ser tratados como exceções, e políticas públicas permanecem insuficientes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É urgente criar plataformas seguras e éticas para recolher, estudar e partilhar informação, ao invés de catalogar pessoas, para que cada história possa acelerar um diagnóstico, melhorar acompanhamento e devolver autonomia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A escola é talvez o espaço onde esta mudança pode ser mais transformadora. Todos conhecemos crianças que “não encaixam”: específicas demais para currículos rígidos, complexas demais para metodologias que não se adaptam. Mas hoje existem ferramentas que permitem a crianças não verbais comunicarem com IA, plataformas que adaptam conteúdos automaticamente e tecnologias que reduzem desigualdades reais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A inclusão não nasce de decretos. Nasce de escolhas. Portugal tem agora uma oportunidade única de unir educação, ciência, inovação e literacia digital para criar um país onde ninguém fica para trás por ser excecionalmente raro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que está em causa não é tecnologia. É humanidade. Na SERaro acreditamos que “juntos somos menos raros” e, por isso, chamamos todos a agir: escolas, universidades, investigadores, empresas e sociedade civil. Partilhem dados, experiências e soluções; invistam em inovação educativa e ferramentas digitais que funcionem para todos. Cada ação conta. Cada colaboração é decisiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É tempo de transformar potencial em ação. É esse o compromisso da SERaro. E queremos fazê-lo juntos.</p>
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		<title>O futuro da investigação em doenças raras</title>
		<link>https://mydoencasraras.pt/opiniao/o-futuro-da-investigacao-em-doencas-raras/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[luispaiva@lpmcom.pt]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Mar 2026 13:39:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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<p class="wp-block-paragraph">A investigação em doenças raras está a viver uma revolução silenciosa. Durante anos, o modelo tradicional ditou que os cientistas estudassem os “doentes”. Hoje, essa dinâmica inverteu-se, e o futuro da descoberta e do tratamento está a ser moldado por aqueles que vivem a condição no seu dia-a-dia: as crianças e os jovens. Assinalando o Dia de Sensibilização para a Hipofosfatémia Ligada ao X (XLH), esta reflexão de<strong> Inês Alves</strong>, Presidente da Associação Nacional de Displasias Ósseas (ANDO), sublinha que a verdadeira inovação reside em dar voz e ferramentas aos mais jovens.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No dia 23 de outubro, assinalamos o Dia de Sensibilização para a Hipofosfatémia Ligada ao X (XLH), uma doença rara que afeta o metabolismo do fosfato e compromete o desenvolvimento ósseo desde a infância. Mas marcar este dia, é mais do que sensibilizar para este diagnóstico raro. É também dar visibilidade à transformação da ciência, abrindo oportunidades para a participação ativa de crianças e jovens na investigação das suas próprias condições.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ANDO Portugal surgiu pela necessidade de dar voz a quem vivia na invisibilidade das doenças ósseas raras. E ao longo de 10 anos, alavancamos a participação da ANDO como parceiro ativo na investigação científica, entre projetos de ciência básica e clínica, social entre outras, com foco em avançar conhecimento em displasias ósseas. Colaboramos com investigadores, participamos em redes europeias de referência, e contribuímos para estudos que moldam políticas de saúde. Mas a verdadeira inovação teve início quando abrimos oportunidades aos próximos colaboradores: às crianças e jovens que têm uma displasia óssea.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É preciso envolver os mais jovens em ciência e nos cuidados em saúde. E este passo é mais dos que preencher uma lacuna. É aceder a uma fonte de conhecimento única e despertar as mentes do futuro. Os jovens trazem perspetivas que nenhum questionário validado consegue capturar: sabem o que realmente importa no dia-a-dia, identificam lacunas nos cuidados que os adultos normalizam, ou pior, agudizam, e fazem perguntas que os investigadores experientes já não fazem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao participarmos em redes internacionais como membros ativos, o nosso país entra na vanguarda da investigação centrada na pessoa com doença ou condição rara. Os dados e conhecimentos gerados por jovens em projetos, nacionais e europeus, aportam um valor imenso para as políticas nacionais, e podem ainda melhorar protocolos clínicos, e acelerar o acesso a terapêuticas inovadoras.&nbsp; E com esta visão, criamos a ANDO Kids, que integra redes europeus de jovens agentes de mudança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando uma criança de 12 anos questiona por que um questionário de qualidade de vida não inclui perguntas sobre participar em atividades escolares, ou quando um adolescente sugere simplificar o consentimento informado, é mais do que dar uma opinião. Estão a tornar a ciência mais relevante, mais ética, e mais eficaz. Em vez de serem “doentes” definidos por limitações, tornam-se exploradores de territórios inexplorados, detetives que procuram respostas, miúdos&nbsp;<em>cool</em>&nbsp;que podem ajudar outros como eles.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O livro “<em>Em Busca do Fosfato Perdido</em>“, é um exemplo de como a complexa bioquímica da XLH pode ser transportada para uma aventura, enquanto se desmistifica a condição sem a simplificar em excesso. Neste livro, o Pedro e o seu fosfato mágico, tocam em conceitos de metabolismo mineral através da metáfora, tornando o conhecimento acessível e envolvente, em que uma base científica é partilhada como história. Quando uma criança fecha o livro, poderá pergunta-se “E o<em>nde está o meu fosfato?”,&nbsp;</em>e com isto, estará a fazer a pergunta que fez parte de vários anos de investigação. Ao aceitar o desafio de pensar sobre estas questões, cada criança está a dar o primeiro passo numa vida mais inquisitiva, curiosa e de procura de soluções, quer na sua vida diária, que na vida social, educativa e profissional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E sim, a investigação em doenças raras está a passar por uma transformação fundamental. O modelo tradicional (de investigadores estudam doentes) está a dar lugar a um modelo colaborativo onde diferentes intervenientes são coinvestigadores.&nbsp; E quando damos às crianças as ferramentas para compreenderem a sua condição e a oportunidade de contribuírem para a sua solução, estamos a abrir oportunidades às futuras geração sabem que viver com uma doença rara não significa viver à margem das oportunidades, mas poder estar na linha da frente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para saber mais sobre a ANDO Kids visite <a href="https://www.andoportugal.org/ando-portugal/ando-kids.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">www.andoportugal.org/ando-portugal/ando-kids.html </a></p>



<p class="wp-block-paragraph">Para solicitar um exemplar gratuito do “Em busca do fosfato perdido” aceda ao site da ANDO <a href="https://www.andoportugal.org/livros-infantis/em-busca-do-fosfato-perdido.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui </a>.</p>
<p>O conteúdo <a href="https://mydoencasraras.pt/opiniao/o-futuro-da-investigacao-em-doencas-raras/">O futuro da investigação em doenças raras</a> aparece primeiro em <a href="https://mydoencasraras.pt">My Doenças Raras</a>.</p>
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